Diabetes Mellitus e a Filatelia
Por Melani Daisy Sabino
(Bióloga - UFSC)
O conhecimento do diabetes é muito antigo. Os egípcios (1500 a. C.) o descreveram associado com a passagem de muita urina. Celsus (30 a. C. a 50 d.C.) reconheceu a doença, porém, somente após dois séculos, Aretaeus da Capadócia lhe deu o nome de "diabetes" e fez a primeira descrição clínica – "... derretimento da carne e membros em urina". Diabetes significa sifão ou passar através de. Esse é o nome com que os antigos gregos designavam indivíduos que se distinguinam por eliminar grandes quantidades de urina e mellitus significa mel. É uma desordem caracterizada por níveis anormais de açúcar no sangue e urina.
(Brasil - Catálogo Scott 2380)
O avanço no conhecimento do diabetes permaneceu quase inalterado até a metade do século XIX. Em 1869, Langerhans descobriu as células das ilhotas pancreáticas. Ao final deste século, Opie notou que as células beta das ilhotas estavam alteradas em pessoas falecidas com a doença. No entanto, apenas em 1921, os cientistas canadenses Banting e Best, identificaram a insulina (do latim insula que significa ilha), um hormônio liberado pelas células beta do pâncreas, fundamental no metabolismo de açúcares no organismo humano.

Aproximadamente 30 milhões de pessoas pelo mundo todo sofrem desta infermidade , podendo manifestar-se em qualquer idade, sem distinção de sexo e etnias. Sua prevalência é crescente, o que o torna uma doença crônico-degenerativa com características epidêmicas.
Estimativas da Organização Mundial de Saúde prevêem um incremento gigantesco nos próximos 10 anos. Isso se torna um grande problema de saúde pública, pois o diabetes mellitus está associado ao desenvolvimento de complicações microvasculares específicas, como retinopatia, nefropatia e neuropatia, assim como doença arterial coronariana, doença vascular periférica e doença arterial cerebrovascular, sendo o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral as principais causas de mortalidade hoje entre os pacientes.
No Brasil, foi estimado a prevalência do diabetes em 7,6% da população, entre 30 a 69 anos e essa porcentagem se eleva a 26% em idosos próximo a 85 anos. A ocorrência é a mesma em homens e mulheres. Na população brasileira há aproximadamente 5 a 8 milhões de diabéticos.

(Carimbo e selo emitido pelos Estados Unidos - Catálogo Scott 3503)
O diabetes é uma doença causada pela ausência ou deficiência na produção de insulina, que é um hormônio produzido pelo pâncreas, responsável pela absorção da glicose do sangue para as células. São conhecidos dois tipos de diabetes: o TIPO I (10% dos casos), iniciando na infância ou juventude, caracterizando-se por uma deficiência insulínica absoluta e atualmente classificado como diabetes insulino-dependente, e o TIPO II (90% dos casos), iniciando na idade adulta, caracterizando-se por uma diminuição da secreção ou do número de receptores para a insulina, bem como, defeito nos mecanismos de ação pós-receptor, é também chamado diabetes não insulino-dependente. Casos como a desnutrição, pancreatites, alcoolismo, infecções virais, obesidade, gravidez, traumas emocionais, stress, doenças auto-imunes e o envelhecimento, podem desencadear a doença também, Por ter todas estas causas o diabetes é considerado uma doença poligênica.
Como conseqüência da falta de insulina, o metabolismo de açucares, gorduras e proteínas é modificado no organismo humano. No entanto, o grande vilão é o açúcar, que vai se acumulando no sangue causando uma hiperglicemia. Essas modificações fisiológicas produzem os clássicos sintomas do diabetes:

A perda do peso está associada com o início do diabetes juvenil e a obesidade pode desencadear o diabetes no adulto. Quando todos estes sintomas são percebidos, deve-se procurar logo um médico para dar inicio a um tratamento adequado.
Os objetivos do tratamento do diabetes são, obviamente, a eliminação dos sinais e sintomas decorrentes da hiperglicemia, bem como, a melhora da qualidade de vida e a prevenção ou redução de todas as complicações crônicas. O tratamento consiste na adesão a um programa de orientação alimentar (dietas balanceadas) e na prática regular de atividades físicas. Se essa abordagem não atingir controle metabólico adequado, faz-se necessária a introdução de tratamento medicamentoso (hipoglicemiantes orais e aplicações de insulina).
É muito importante controlar o diabetes, para se evitar complicações sérias, como: degenerações dos membros inferiores (gangrenas ou "pé diabético", popularmente chamado), cegueira, doenças renais, doenças nos nervos e músculos, aterosclerose, (produzida pela obstrução de vasos sanguíneos), impotência sexual e o coma diabético, que pode até levar a morte.
- Dinamarca - Catálogo Scott B75 - "DIABETES ASSOCIATION"
- Japão - Catálogo Scott 2433 - "1994 Diabeties Congress"
- México - Nova Emissão - Int. Fed. Diabetes

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